Meu pai fala pouco, "para não dizer tolices". É o primogênito. Ao saber que o irmão mais novo havia falecido, disse ao mensageiro: tudo bem, obrigado. Deu a péssima nova aos restantes, um por um, presencialmente. Todos choraram no seu ombro e nem a voz ele deixou falhar. No velório, cinco irmãos em volta do caixão. Quando era pra fechar, o pai não deu um passo. Seus olhos se encheram d'água e, discreto, quis a mão da minha mãe de consolo. Logo depois, recompôs-se para dividir o peso a carregar.
Um comentário:
Ennio,
a poesia nos instiga a suprir essa ausência desesperada, esse espaço em branco, essa falta que insiste em ser lembrada.
Obrigada por trazer textos tão bonitos e delicados...
"Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!"
Abraços,
Camila
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