29 de abril de 2008

Rômulo e Juliana: Um clássico contemporâneo

Por Ennio H. R. Silva”



Aquela noite parecia mais vazia que o habitual, logo os bares também pareciam mais acolhedores.

Sentei no balcão, há um metro de uma mesa ocupada por um casal, e pedi um whisk.

Não direi nada sobre eles, pois, dizendo eu que a moça era bela, branca e pura enquanto o acompanhante era mal vestido, inquieto, esguio e frígido, certamente me taxariam como sensacionalista e preconceituoso, ao julgá-los pelo estereótipo, então, não direi nada.

O fato que é que conversavam, melhor, discutiam. Entretanto, não gritavam e pouco gesticulavam, era uma discussão íntima e primordial.

Não, não podeis me acusar de bisbilhotar a vida alheia leitor, em verdade, não era eu que os ouvia, e sim o diálogo deles que, inevitavelmente, chegava aos meus tímpanos.

O trecho que ouvi, livre de acréscimos ou decréscimos, foi assim:

- Rômulo, o que importa é nosso amor! – Suspirou, visivelmente aflita, a moça.
- Sim, Juliana, mas é impossível, sua família... – Falou o outro, menos emocionado que maquiavélico.
- Não entendo, sou maior de idade, e você, até onde sei, nunca se importou com a sua. – Ela disse.
- Não me importo mesmo, mas não trabalho e seu cartão de crédito foi bloqueado....não valeria a pena.
- Não diga isso, meu amor, tudo valeria! Por nós, tudo valeria a pena! – Defendeu Juliana com palavras e lágrimas.
- Tudo? – Perguntou Rômulo, delicadamente, como que posicionando uma peça de xadrez em um tabuleiro metafísico.
- Sim! Por quê? Você vê alguma saída? – E, subitamente, ela se alegrou.
- A menos que... Bom, sua família tem grana... Poderíamos forjar um seqüestro... Eles pagariam muito por você, meu anjo... Não faríamos isso pelo dinheiro, óbvio, faríamos por amor... Assim poderíamos viajar... Juntos... E eu poderia investir na minha banda – Xeque-mate.
- Claro Rômulo... Viajaríamos... Sem destino, sem mapas, guiados pelo amor – Rômulo bocejou longamente nesse momento, todavia, isso é apenas um detalhe.

Eles se levantaram, por um momento nos entreolhamos: Rômulo e eu. No olhar dele estava a indiferença e a astúcia; quando passaram por mim, percebi, no perfume de Juliana, um cheiro crônico de ingenuidade.

28 de abril de 2008

Perseverança e humildade


"Concordo plenamente com os grandes sábios que dizem: 'Toda grande caminhada começa pelo primeiro passo'. Mas, sempre me pergunto: O que seria desse sem os vários outros que sucedem-no"

Ennio H. R. Silva

27 de abril de 2008

Correspondência (in)esperada

Por Ennio H. R. Silva”



Brasília, 22 de setembro de 2183;
Excelentíssimos doutores do IBDG;

Como vocês sabem, sou Tiago Ribeiro Costa ou FH-04/77, o único sobrevivente dos quatro voluntários para o projeto “Fiax Homo” (extra-oficialmente denominado: “Homem Perfeito”).
Sei que vocês, pesquisadores do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Genético, têm me procurado insistentemente e ainda devem estar surpresos com os rumos diversos que cada um de nós, os voluntários, escolhemos. Não sei dizer o porquê, mas senti que mereciam uma satisfação.

Quando fugimos do Laboratório Experimental de Manaus (LEM), no dia vinte e dois de setembro de dois mil e setenta e sete, nos refugiamos em uma tribo indígena e, dada a nossa sede pelo conhecimento (um dos resultados dos experimentos do projeto), debatemos a cerca dos objetivos da vida do Homem. Ao fim de quarenta e oito horas de discussões ininterruptas, provamos definitivamente que o real motivo da existência humana é a ajuda mútua.

A FH-02/77, ou Jéssica como ela mesma havia escolhido, decidiu que ajudar a humanidade seria privá-la da interação com seres como nós. Segundo Jéssica, nosso elevado nível intelectual seria motivo de conflitos e guerras, estimulando a barbárie e o caos. Então, entristeceu-se profundamente e, três meses depois, descobri seu suicídio.

Áurea Albuquerque (FH-03/77) discordou, inferindo que a única forma de decisivamente ajudar a humanidade, tal como temos capacidade, seria nos entregar à vida pública. Assim, aplicaríamos todo nosso potencial para ajudar os homens a conviver e prosperar. Como devem ter percebido, ela foi a primeira presidente do sexo feminino do Brasil, porém foi assassinada trinta e três dias após sua posse, justamente por FH-01/77.

Ele, que se autodenominava Rogério Santos, tornou-se matador de aluguel. Para Rogério, nossa missão era “acelerar o processo de seleção natural” (e receber por isso). Ele foi morto há uma semana, numa emboscada da Polícia Federal.

Bem, a satisfação está dada e minha consciência tranqüila.

Quanto a mim? Estou em algum lugar do Brasil, minha pátria amada, que, obviamente, não é no endereço do remetente. Tenho uma mulher, dois filhos e um táxi.

Quanto a minha opinião sobre eu e a humanidade? Tenho absoluta certeza de que a melhor forma de ajudar os homens é distanciá-los de monstros fleumáticos como vocês e, por isso, todos os funcionários do IBDG receberam essa carta cujo interior estava preenchido com gás venenoso e a tinta é mortalmente tóxica.


Cordialmente,
Tiago Ribeiro Costa

Felicidade crepuscular...

Por Ennio H.R. Silva “



Para mim, a hora mais esperada de qualquer dia é quando o sol se põe, pois no lugar desse astro belíssimo vejo outros dois, igualmente dourados, ardentes e vitais.

Sim, com o ocaso do dia se vão os computadores, os escritórios, os clientes e as gravatas. Seus olhos chamam minha atenção, essas duas flechas que me ultrapassam, metafisicamente, o peito e lêem minha mente e prevêem meus atos.

Seus olhos, pupilos dos ourives, hipnotizariam a qualquer mortal, mas preferiram-me, o mais sortudo dentre os homens que já existiram e ainda hão de existir. Não há um dia sequer que eu não agradeço por estar contigo, pois seus olhos são tão belos, de vida irradiante, que até mesmo os cegos, viventes da perpétua noite sem lua, fazem deles faróis de orientação.

Não há dúvidas! Você é a legítima mineira, de Minas, do interior do Brasil, pois esses olhos teus não são obra humana, são o artesanato predileto de Gaia. E como se tudo isso não bastasse, a cooperação perfeccionista das abelhas-mestras desse mundo deu-lhes um toque especial: a doçura, a serenidade, a pureza, o mel.

Todos os dias, depois que o sol se recolhe, estamos aqui, a sós, eu, você, seus olhos e a felicidade... Não me falta nada.

26 de abril de 2008

O Começo do fim da minha vida



Bom, nasce aqui o blog Palavras e Idéias. Esse é o inicio de uma nova fase na minha vida e na minha carreira profissional. Portanto, achei propício iniciar minhas incursões digitais. Contudo, é importante deixar claro que esse veículo nada pretende de ambicioso, seu fim está em simplesmente existir como possibilidade de evasão para minhas idéias textuais exporáticas. Estou apenas começando na vida de amante das palavras (ou jornalista, escritor, o que for), assim muitas idéias serão banais, imbecis e os erros de gramática permearão minhas postagens. Mas enfim, como eu disse esse sitio digital não é, inicialmente, para ninguém é para descartar um pouco do peso que carrego na alma e na mente. Mas, se quiser ler, internauta, leia, se quiser comentar comente, se quiser elogiar, sugerir, criticar, faça-o. Só Deus sabe o que essa experiência pode gerar.

"Esse é só o começo do fim da nossa vida...." Los Hermanos.