19 de abril de 2013

Who am I?

I am less then a shadow
Of what I was 
When we were in love 

If you could meet me today 
You would be sorry 
And you'd pray to your Lord:
'Forgive him 
he doesn't know what he do' 

 I am less, I am lost


7 de abril de 2013

Brasil à francesa

Sempre achei esse país um lugar detestável. Rio de Janeiro, pra mim, é o inferno, literal e metaforicamente. Os inebriantes termômetros na casa da quarta dezena convivendo com as pessoas praticamente nuas, num comportamento malicioso, cheio de meandros, nas palavras e atos. E pior, tudo envolto por uma estranha idolatria. Nunca entendi, muito embora meu português seja perfeito, a beleza do "malandro carioca". Sempre preferi a brisa do mar da varanda do meu apartamento.

Sou Jean Louis Bertrand e tenho 18 anos. Moro com minha família no Brasil há uns oito. No começo, pensava que meu pai só queria saber como era viver em um país governado pela UMP. Mas, se fosse isso, morar aqui não faria o menor sentido mais...

A maioria dos de cá chama-me de apático, pretensioso ou, nas palavras deles, "um filhinho de papai metido a besta". E, de que me importa a opinião e insultos deles? Até pouco tempo, quase nada seria minha resposta. Mas, subitamente, as coisas estão meio confusas, confesso. O motivo? Uma mulher, claro.

Antes de que um clichê, ela é um paradoxo. Mulata, 29 anos, professora nas horas vagas, doutoranda em Ciências Biológicas e moradora de favela. Por aqui, achar essa mistura toda um contra-senso seria considerado preconceito ou xenofobia. Com certeza, diriam: "Tão europeu!". Entretanto, ninguém chegará a ler esse texto, é apenas um confessionário temporário improvisado em rascunho na última página do meu caderno escolar; logo o rasgarei; daí essas linhas nunca terão existido.

A extraordinária e fantástica imagem da Mademoiselle de Pavão-pavãozinho não sai da minha cabeça. Eu, com ela, sou um plebeu às avessas.

Meu tipo blasè, são sublimemente enfadonho, se desfaz ao seu lado. Sem esforço algum, transbordo o entusiasmo que não tenho. Como a conheci? Meu pai disse: "Você precisa é de umas aulinhas particulares, meu filho. Vai aprender as belezas desse lugar. Vou lhe arranjar uma boa professorinha". A sordidez e pervesidade na voz dele me fez perceber algo desprezivelmente possessivo, um colonialismo anacrônico. Aquilo quase me enojou.

Enfim, não que a "professorinha" não tenha os tais dotes físicos a que o velho se referia, mas ficam em segundo plano. Suas palavras me seduzem mais, aquelas ideias contundentes de quem quer mudar isso que chamam de país... Mas ela não se deixa estereotipar: intelectual que adora sambar, pensadora que assiste folhetim, cientista crente em suas simpatias. E eu... eu sempre nunca entendo.

Hoje, saio e não sei quando volto. É Copa Mundial de Futebol, eles amam isso por aqui. Ela me chamou para assistir ao jogo em um bar, disse que seria uma chance de me enturmar. Eu, o pirralho adolescente e estudante de cursinho, alimento essa fantasia romântico-platônica. Vesti-me com a única camisa amarela que tenho, cor irritante e estridente. O tom é mais pálido que o uniforme do time, é verdade, mas ainda assim, amarelo. Vou-me. Não sei quando volto do jogo e nem quando retorno à Marselhesa. Essa noite, porém, espero que não tão cedo.