5 de setembro de 2012

À beira-mar




Ocean, ocean, ocean... O inglês funciona bem melhor do que o português para representar a imensidão do mar. Sentado aqui, de frente pra esse infinito azul, sobre a areia morna e sob a sombra fresca, tudo o que escuto é essa quase-onomatopeia: ocean, o-cean, ôu-xeãnn....A força inabalável de Poseidon suga as margens da praia para as profundezas das águas, a maré se afasta, os grãos de areia são arrastados; subitamente, a onda se erge, imponente (ôu....). O equilíbrio se desfaz, tão fugaz quanto como se construiu, a onda quebra na areia, revira tudo, regurgita o que não quer na espuma, sem negociar (xeãnn...). Ocean, ocean, ocean...

Engraçadas as bobagens que se pensa quando a passagem de tempo deixa de importar. Umas saudades daquelas palavras que nomeiam rostos que já não me lembro, uma consciência serena de que esses serão os dias mais calmos e, porém, mais monótonos da minha vida.

A maré traz um baú sem tesouro dentro, só há um cubo-mágico meio atrapalhado.

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