Esse foi o único jeito: plantar a frase do título como uma ideia fixa na minha mente e partir para a ação. Depois de quase trinta dias sem escrever uma única linha e aproximadamente trezentos e setenta e um dias sem compor frequentemente - minha derradeira postagem como colunista de um extinto portal cultural entre amigos foi no dia 15/04/10, cá estou. Aliviado e receoso.
Basta conversar comigo por mais de 20 minutos para saber o quanto a escrita me faz bem. Sempre estou com um "deveria voltar a escrever" a ponta da língua, mas não é tão simples assim. Para parafrasear o grande Luis Fernando Veríssimo que disse em certa entrevista que "quanto mais se escreve, mais difícil fica", eu digo: "quanto mais se gosta de escrever, mais difícil fica". Sim, porque, no meu caso, a autocobrança sempre aumentava.
Era como se eu visse o processo da escrita como uma evolução progressista em que cada texto é "naturalmete" melhor do que o anterior. E, caso não fosse, para quê escrever? E quanto ao tema, para que dizer o que todos já dizem? Aumentar o coro disforme e incontável de blogs/sites de opinião? O que eu tenho a acrescentar? Perguntas desse tipo já me fiz muitas vezes e ainda me faço. Porém, acho que há algo que pode ser um possível início de direção para uma resposta (detalhe para a cautela).
Eu devo escrever porque preciso, porque isso faz parte da minha identidade, faz parte do que constitui meus interesses e, quem sabe, os interesses de outra pessoa. Se você não disser o que pensa, ninguém saberá, inclusive você mesmo pode se perder nesse emaranhado que chamam de cotidiano. Eu escrevo para me conhecer, para existir enquanto EU MESMO, único. Então, se sou único, o que escrevo também é. Melhor, pior, mas único.
Filosófico demais, né? Mas é isso mesmo! Claro que eu também tenho um motivo mais prático. Escrever é dominar a linguagem. Quem escreve bem sabe melhor articular, escolher e elencar cada palavra no lugar mais adequado possível. Como jornalista, quanto mais praticar, mais vou conhecer nossa língua (e outras) e, suponho, melhor vou escrever.
Então é isso,
Declaro esse o primeiro texto, da segunda fase, do meu terceiro blog que foi o primeiro. Melhor: declaro esse só mais um dos vários textos que escrevi e ainda vou escrever!
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